jueves, 29 de mayo de 2008

Carta Aberta enviada aos Deputados Espanhóis. Luis Portillo Pasqual del Riquelme

[Texto da Carta Aberta enviada aos Deputados Espanhóis]

PARA: CONGRESSO DOS DEPUTADOS
MADRID

Madrid, 22 de abril de 2008

Vossas Excelências:

Tomo a liberdade de me dirigir aos senhores deputados para anexar o meu artigo “Sáhara Occidental: Las legítimas razones del Pueblo Saharaui” (Saara Ocidental: as legítimas razões do Povo saariano), que foi traduzido ao inglês, francês e italiano, com bibliografia ad hoc em cada idioma.

Como já sabem, o Saara Ocidental e o povo saariano –o qual abandonamos vergonhosamente- são, ainda hoje, questões pendentes da nossa democracia. Não se falou sobre isso na passada campanha eleitoral, da qual os senhores deputados saíram eleitos como representantes da vontade popular.

Como simples cidadão, desejaria que VV.Ex.ªs se interessassem seriamente pela Causa Saariana e pusessem o seu grão de areia na resolução pacífica, mas rápida, deste conflito, conforme às normas da legalidade internacional, que determinam a realização de um referendo de autodeterminação para o Povo saariano, da mesma forma que foi feito para outros países que foram colónias e/ou territórios não autónomos.

A experiência de Portugal no caso de Timor Oriental é um exemplo a seguir pela Espanha e pela comunidade internacional. Como nós, os portugueses também fizeram mal em 1975, quando a Indonésia -assim como Marrocos no Saara- invadiu, massacrou e ocupou Timor durante duas décadas. Mas os portugueses souberam retomar a legalidade internacional: pressionaram a ONU e a comunidade internacional, e conseguiram um referendo de autodeterminação para o povo de Timor, que deu origem a uma nova nação, hoje livre e independente. É um antecedente muito próximo e bem claro.

Como assinalou certo dia o nosso ex-presidente do Governo, Felipe González, muitos espanhóis sentem hoje uma profunda dor e uma enorme vergonha do nosso miserável abandono do povo saariano e do não cumprimento das nossas promessas e responsabilidades internacionais. Isto causou muitos danos na sociedade espanhola (sem falar aos próprios saarianos) e estão a gerar tensões perigosas no Magrebe e noutros lugares, que, para o bem de todos, seria conveniente acabar de uma vez, pondo as coisas no seu devido lugar. O Governo espanhol não enviou a sua ex-província africana nem mesmo um só professor de espanhol, desprezando absurda e irresponsavelmente o facto de que os saarianos são o único povo do Magrebe que pretende manter o espanhol como língua co-oficial. E, ao contrário de outros países com um nível de desenvolvimento muito menor, a Espanha não tem um acordo com as autoridades saarianas para que os seus cidadãos -nossos ex-compatriotas- possam estudar e formar-se no nosso país. Gostaria que reflectissem sobre tudo isso.

Agora faz quase um ano que enviei o artigo inicial e original (“La legalidad internacional no es una utopia”, “A legalidade internacional não é uma utopia”, mãe ou pai do artigo que lhes anexo) ao jornal EL PAÍS, pedindo-lhes que o publicassem, com a intenção de debater e contradizer os argumentos apresentados noutro artigo publicado por eles. O EL PAÍS recusou a sua publicação, justificando “falta de espaço”.

Enviei o artigo a outros meios que sim me deram espaço e o publicaram. Foi traduzido desinteresadamente pela Tlaxcala, a vários idiomas e publicado tanto na imprensa escrita tradicional como digital (alguns desses meios são indicados no final do artigo citado no princípio desta carta).

Enviei a versão francesa à revista académica Cahiers de la Méditerranée, que o considerou interessante. Pediram-me para o ampliar, dando-lhe “mais corpo” (bibliografia, notas, etc.) para o publicar como artigo académico (e não como mero artigo jornalístico). Assim o fiz, com muito esforço e dedicação.

No entanto, infelizmente, a Cahiers de la Méditerranée não o publicou, sem me dar nenhuma explicação, nem respondeu (silêncio) as minhas cartas solicitando uma confirmação ou esclarecimento.

Esta é a pequena história do artigo que Vossas Excelências têm agora a sua disposição. Espero que seja do seu interesse e contribua para despertar as suas consciências, para os incentivar a seguir o exemplo dos portugueses com a sua ex-colónia, outrora invadida e ocupada.

Agradecendo a atenção despendida, recebam os meus melhores cumprimentos.

Ass.: Luis Portillo Pasqual del Riquelme (Madrid)

Western Sahara: The Legitimate Reasons of the Saharawi People
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4965&lg=en

Sahara occidental : Les raisons légitimes du peuple sahraoui
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4619&lg=fr

Sahara occidentale: Le legittime ragioni del popolo saharawi
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4861&lg=it

Sáhara Occidental: Las legítimas razones del pueblo saharaui
http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4625&lg=es
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=61146

Versión original de la carta en español: Carta Abierta enviada a los Diputados Españoles por Luis Portillo Pasqual del Riquelme.
Versión en francés: Lettre ouverte aux Députés espagnols. Luis Portillo Pasqual del Riquelme
Versión en inglés: Open letter sent to the Spanish Members of Parliament. Luis Portillo Pasqual del Riquelme

Fuente: Luis Portillo Pasqual del Riquelme

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